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A INDÚSTRIA DO CÂNHAMO NOS COMBUSTÍVEIS E NA CONSTRUÇÃO CIVIL

A INDÚSTRIA DO CÂNHAMO NOS COMBUSTÍVEIS E NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Por.: Leonardo Sobral Navarro e Humberto J. Nogueira

Num cenário onde os recursos naturais começam a dar sinais de esgotamento pela ação do homem no planeta, a indústria do cânhamo pode se tornar uma alternativa econômica, criativa e lucrativa.

Um exemplo disso são os estudos em torno dos biocombustíveis. Hoje o etanol é a maior das estrelas e o Brasil é um de seus maiores produtores, com o combustível sendo extraído da cana de açúcar e sendo consumido tanto no mercado interno quanto externo.

Ao mesmo tempo, estão avançadas as pesquisas para a produção de combustíveis a partir da planta cannabis sativa, pilar de toda essa nova indústria do cânhamo industrial. Mais uma alternativa limpa e ambientalmente verde.

As pesquisas sinalizam que o cânhamo industrial pode ser cultivado mesmo em regiões onde o plantio tem dificuldades para vingar. Isso porque, por suas propriedades, com o tempo, ela recupera as propriedades mesmo de um terreno improdutivo.

Outro avanço é o ingresso da indústria de cânhamo na construção civil. Em artigo recente, o arquiteto e pesquisador Blaine Brownell flagra que já há alguns anos a cannabis vem produzindo cordas, isolantes, bioplásticos e outros materiais industriais resistentes. O próximo passo, segundo ele, é a entrada do cânhamo como protagonista na construção civil em substituição à madeira.

A entrada do cânhamo industrial no mercado da construção foi sacramentada nos Estados Unidos em 2018. As vantagens do emprego desse material são variadas e contemplam toda a cadeia. Na produção, por exemplo, o cânhamo pode ser cultivado entre 90 e 120 dias, 100 vezes mais rápido que o carvalho, por exemplo. O cânhamo absorve quatro vezes mais carbono do que uma floresta de tamanho semelhante. 

A consultoria australiana de ecoenergia GoodEarth Resources chancelou que “o cânhamo industrial é cientificamente comprovado para absorver mais CO2 (gás carbônico) por hectare do que qualquer floresta ou cultura comercial e, portanto, é o sumidouro de carbono ideal”.

 

No que diz respeito aos produtos, importante destacar dois exemplos norte-americanos. Em Murray, Kentucky (EUA), uma fábrica local (Fibonacci) produz madeira, piso, armários, molduras e móveis com plantas de cânhamo colhidas em um raio de 160 quilômetros. A linha de produtos atende pelo nome de HempWood. Aqui as fibras das plantas são submetidas a altas temperaturas e são comprimidas com adesivo à base de soja ou cola de madeira. O objetivo da empresa era recriar a estabilidade, dureza e densidade do carvalho em um material trabalhável semelhante à madeira. A madeira de cânhamo pode ser cortada, lixada e acabada como carvalho e é quase duas vezes mais resistente, de acordo com o fabricante.

 

Outro projeto denominado Plantd, criou nos Estados Unidos um novo revestimento à base de cânhamo denominado OSB (Oriented Strand Board), uma alternativa mais barata e mais resistente para ser empregada na construção civil. O projeto está disputando o X Prize for Carbon Removal do bilionário Elon Musk. O prêmio é de US$ 100 milhões. Os Estados Unidos possuem atualmente um déficit de residências de 4 milhões de unidades. 

 

A indústria do cânhamo industrial está chegando no Brasil e vai trazer inovação, sustentabilidade, renda, empregos, novas oportunidades de negócios e moradias de qualidade para milhares de pessoas. Para isso, é preciso construir marcos legais dessa atividade e, mais importante: desconstruir os preconceitos contra a cannabis medicinal e contra o cânhamo industrial.

 
 


Data: 13/12/2021 - Autor: Leonardo Sobral Navarro e Humberto J. Nogueira

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